| Ao Vivo | Black Lips @ Caixa Económica Operária
Nov 12th, 2009 | Por Nuno AfonsoTijuana, 2007. Os Black Lips acabam de assinar pela Vice e apresentam-se ao vivo numa das cidades mais mal afamadas do mundo onde reinam ilegalidades e excessos. Nesse concerto, há mariachis, público a tropeçar na banda, gente encavalitada no chão e ainda há espaço para uma miúda celebrando o êxtase do momento masturbando-se ali mesmo. Tudo isto demonstra – da forma mais genuína possível – a urgência e o inconformismo (que sentem e fazem sentir) de um grupo de quatro miúdos de Atlanta pronto a fornicar o dito rock n ´roll com a pujança e entusiasmo natural da idade.
Lisboa, 2009. Seria no mínimo ingénuo pensar que o Armadegão de Tijuana se voltasse a repetir por cá. Mas os Black Lips não enganam ninguém e deram provavelmente o seu melhor concerto em terras nacionais. A seu favor tinham um dos melhores espaços lisboetas para música ao vivo e um público sedento de os ver. De sala composta, a banda entra em palco com uma efusão absolutamente contagiante fazendo desde logo prever uma noite memorável. Em destaque estiveram os dois últimos discos especialmente o mais recente 200 Million Thousand. Um guitarrista de chapéu à Harry Potter e um baterista possuído sabe-se lá por quê, relembram-nos que estamos perante um daqueles casos de pura bandalheira a que poucos serão imunes. Entre os temas mais festivos como Drugs ou O Katrina! - que inevitavelmente movimentaram tropas para o círculo de moshpit – também mostraram o seu lado mais limpo e contemplativo através de Starting Over. Pelo meio ficaram as desculpas da banda ao namorado de uma miúda com quem os Black Lips não resistiram aos encantos (rufias mas respeitadores, atenção) arrancando de seguida para Let It Grow, um dos temas-chave do último disco. Quase perto do final deu-se o momento da noite ao som do hino Bad Kids que serviu de mote para uma das invasões de palco mais divertidas dos últimos tempos. Banda e fans, amontados uns ao lado dos outros, marcando o ponto alto da actuação número quatro dos Black Lips por Portugal. Ninguém se preocupou com as cervejas derramadas ou com os pingos de suor alheios que faziam sentir, afinal de contas ninguém apareceu ontem na Caixa Económica Operária para outra coisa. Não houve espaço para sisudos, no concert for old men.
Antes os The Sticks ofereceram-nos uma lição de como desfragmentar o rock em cerca de trinta minutos. Trocando os instrumentos entre si, canção a canção, a banda nunca deixou de lado aquele pulsar do garage punk que por vezes lembram os projectos desse quase Deus chamado John Dwyner (nomeadamente através dos The Hospitals ou Coachwhips). Será errado chamar a isto noise, será limitado dizer que se trata de rock n´roll e ainda mais insensato pensar que houve aqui uma abordagem pensada. No universo dos The Sticks musicalmente muito pode acontecer e mais que tocar bem, há que tocar com atitude, com feeling. A vontade de pegar num instrumento é mais forte que tudo e no fundo é isso que interessa e nem os próprios o escondem. Uma estreia positiva e um aquecimento adequado ao que se seguiria.
Final de noite e mais uma proposta ganha da produtora Filho Único que tem vindo a agitar – e muito – o panorama de concertos na cidade e não só. Haja rock, haja invasões de palco e haja cerveja no ar. Até à próxima.
Nuno Afonso





o chapéu não era à Harry Poter, era à feiticeiro professor na escola do Harry Potter (sou especialista no assunto), nos teus anos ofereço-te um
adrenalina!… já tinha saudades de uma noite assim!