| AO VIVO | Bunnyranch @ ZdB

Mar 9th, 2009 | Por Nuno Afonso

Estranho caso o dos Bunnyranch. À medida que vão lançando novos álbuns cada vez melhores, a exposição mediática da banda de Coimbra parece vir a esmorecer. Pode ser só impressão minha, não tenham problemas em mo dizer, mas é que este novo disco, o díptico Teach us lord… how to wait, quase que passava despercebido por aí. E não merece, porque é um discalhão. Enquanto andam a apresentá-lo pelo país fora, a Mescla Sonora foi apanhá-los na galeria Zé dos Bois. A Mescla Sonora e mais uma casa cheia do pessoal que costuma estar em todos os concertos de rock em Lisboa, claro.

Apesar das mudanças no alinhamento que já sofreram (mais recentemente foi a troca de guitarrista, com a entrada de Augusto Cardoso), os Bunnyranch estão cada vez mais coesos e consistentes e isso reflecte-se nas suas actuações. Em contrapartida, perdem aquela componente de espontaniedade que lhes era reconhecível no início e que faziam com que cada concerto se arriscasse a ser um barril de pólvora em risco de explodir a qualquer momento. No fundo, aconteceu o mesmo com os Wraygunn, por exemplo. Obviamente que isto não é mau. Ou não.

Sempre com Kaló a liderar as hostes, no centro do palco a tocar bateria em pé e a cantar, qual Gene Krupa do rock, foram espalhando rock’n'roll sem grandes interrupções, retirado não só do mais recente disco, mas dos restantes três álbuns da banda, EP incluído (a versão de Hungry, do Paul Revere and the Raiders devia ser obrigatória por lei nos seus alinhamentos). Ao seu lado, João Cardoso continua a colocar o ênfase no roll da equação rock’n'roll e que faz com que os Bunnyranch pareçam deslizar sobre cubos de gelo.

Os hinos estiveram lá todos: Liar alone continua a ser o mais viciante, mas In the land of the poor, Top top to the top ou Flip flop já rivalizam à grande. E agora também há uma balada, Stand, para que tenhamos pretexto para levar a nossa namorada a um concerto rock.

A novidade desta passagem pela ZdB foi então Tó Trips, o guitarrista da banda portuguesa favorita de Kaló (a descrição é do próprio), apresentado com pompa e cirscunstância por este como um pregador gospel. Musicalmente, é certo que Tó Trips não veio acrescentar muito ao concerto (especialmente no novo Under the bed, onde é a linha de baixo de Pedro Calhau que lhe dá aquele groove libidinoso), mas trouxe carradas de pinta para cima do palco. Além disso, foi bem porreiro voltar a ver o Tó Trips rocker, o que nos fez lembrar de uma questão pertinente: para quando um regresso dos Lulu Blind?

Texto: Pedro Soares

Fotos: Vera Cristina

..::..Myspace..::..

http://www.myspace.com/bunnyranchspace

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