| Ao Vivo | O Uivo + Nite Jewel
Set 7th, 2009 | Por Nuno AfonsoA rentrée musical já se faz sentir na ZDB e promete, até ao final do ano, uma mão cheia de concertos imperdíveis e em jeito de estreia por território nacional. Este Sábado o espaço do Bairro Alto transformou-se numa espécie club after-hours em que os sintetizadores, orgãos e um role de efeitos espaciais e batidas hipnóticas se fizeram sentir. Na primeira parte, O Uivo a representar o lado nacional e o trio norte-americano Nite Jewel a encabeçar a noite.
O Uivo
Guilherme Gonçalves tem sido (discretamente ou nem tanto) um dos novos rostos da música livre portuguesa participando em projectos de relevo como Gala Drop ou Coclea. O Uivo é o pseudónimo usado no seu trabalho a solo que atravessa um território musical que tem tanto de indefinível como de fascinante. Esta é claramente música de dança mas complexa, exploratória e talvez até cerebral sem no entanto, deixar de ser tão simplesmente dançável. Entre coordenadas do house e do techno (facção old school, saída de Detroid) e as aventuras do krautrock alemão, O Uivo é um pulsar de ritmos e mantras fundindo sons e imagens num só. É certo que notamos algumas abordagens semelhantes aos projectos mantidos por Gonçalves contudo ao escutá-lo sentimo-nos próximos de um universo fértil de liberdade criativa.
Apesar de infelizmente não termos acompanhado a sua actuação na totalidade, esta foi a ideia que deixou e que mais tarde tivemos oportunidade de constatar junto de alguns presentes. Em suma, mais uma excelente proposta nacional.
Nite Jewel
De Los Angeles, o jovem trio Nite Jewel apresentou-se em Lisboa após passagem por Coimbra e Porto nas noites anteriores. O seu disco Good Evening tem sido uma das boas surpresas deste ano e acabou naturalmente por ser o destaque da actuação. Da mesma família musical de Ariel Pink, John Maus ou Chromatics, os Nite Jewel são exímios criadores de uma electro-pop que alguns poderão apelidar de retro. No centro das linhas quentes do baixo e das bases rítmicas e arranjos dos sintetizadores, encontra-se a voz algo pálida, algo evocativa de Ramona Gonzalez.
À semelhança de O Uivo, trata-se também de música de dança (num sentido extenso) embora nutra de uma subtileza francamente glamorosa. Estranhamente glamorosa até. Em todo o caso, é fácil deixarmo-nos pela sua música e pela simpatia e simplicidade da banda, que fez questão de demonstrar esse seu lado. Também a ideia da estética retro acaba eventualmente por surgir assim como as referências a nomes obscuros dos anos 80, década definitivamente em voga. Nite Jewel é deste modo música munida de cores garridas e baças, feita para ser escutada noite adentro.
Uma belíssima sessão de dança, para corpo e mente.
Nuno Afonso




