| Ao Vivo | Six Organs Of Admittance @ Teatro Maria Matos, Lisboa

Set 13th, 2011 | Por Nuno Afonso

Não terá sido menos do que um arranque excelso da última temporada de 2011 do Teatro Maria Matos. Em parceria com a produtora Filho Único, Ben Chasny, ou Six Organs Of Admittance, passou uma vez mais por Lisboa. E uma vez mais, surpreendeu. Desta vez sozinho em palco, destacou o último Asleep on The Floodplain, obra de beleza exemplar na sua mais recente discografia. Um talento maior nos tempos que correm.

Para além do percurso admirável pelas várias vivências da folk norte-americana, aliando tradição à inovação, Chasny deverá ser admirado pela sua versatilidade. Capaz de percorrer o rock mais venenoso com os Comets On Fire ou dominar a vertigem sónica com os Rangda, dele também surge a mais genuína inspiração do chamado universo da ‘canção’.  Sempre com a essência de uma América profunda bem patente. Foi dessa arte intemporal, a canção, que se centrou este concerto.

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Diferente da sua última passagem, há cerca de dois anos no espaço Nimas, onde se fez acompanhar por uma banda (onde se incluía Elisa Ambrogio dos Magik Markers), no Maria Matos assistiu-se a uma apresentação mais intimista do músico, apenas acompanhado pela  própria guitarra. Ambiente familiar que emoldurou uma passagem pelo passado e pelo presente de Six Organs Of Admittance perante uma plateia ávida.

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Num alinhamento disperso, Hold On But Let Go deu mote às sequentes visitas a Asleep From The Floodplain; da aurora de A New Name On An Old Cement Bridge ao bucolismo de Light Of The Light, os cenários sugeridos por Ben Chasny transmitem uma ligação quase telúrica da sua música. Em jeito de uma possível dedicatória (quase certa, dir-se-ia) ao malogrado guitarrista e amigo Jack Rose, escutou-se um belíssimo momento intitulado Drinking With Jack. Curiosamente ou não, School Of The Flower foi igualmente um disco de constante retorno por momentos calorosos como Words For Two ou Home. Frisando a sua relação pessoal com a cidade, Lisboa foi o tema-despedida que encerrou com a melhor chama possível uma actuação  francamente memorável. E agora apetece perguntar: para quando Comets On Fire?

Texto: Nuno Afonso

Fotos: Luís Martins

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