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	<title>Mescla Sonora &#187; Uncategorized</title>
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		<title>&#124; Disco &#124; Matthew Dear: Black City</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 16:40:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há personagens assim, camaleónicas. Hiperactivos e hiper criativos por natureza que nunca estando satisfeitos com o que foi feito, procuram fazer mais. Isto enquadra-se inclusive na ideia de ultrapassar os seus próprios feitos. Matthew Dear é, a espaços, uma espécie de David Bowie dos nossos tempos. Multiplicando-se em vários projectos como Audion, False ou Jabberjaw, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://betterpropaganda.com/images/artwork/Black_City-Matthew_Dear_480.jpg" alt="" width="192" height="192" />Há personagens assim, camaleónicas. Hiperactivos e hiper criativos por natureza que nunca estando satisfeitos com o que foi feito, procuram fazer mais. Isto enquadra-se inclusive na ideia de ultrapassar os seus próprios feitos. Matthew Dear é, a espaços, uma espécie de David Bowie dos nossos tempos. Multiplicando-se em vários projectos como Audion, False ou Jabberjaw, tem vindo a explorar as dimensões do techno e da house, impondo-se como incontornável figura de vanguarda. Mas é em nome próprio que Dear especialmente surpreende: seja pela aniquilação de fronteiras musicais, seja pela constante mutação electro-pop de que é capaz. <em>Asa Breed</em> é neste aspecto um monumental trabalho que retrata da melhor forma o artista. Um disco que me fez despertar para as facetas menos conhecidas de Dear e, a partir daí, conhecer (ainda) melhor a capacidade do produtor. Não será pois de estranhar toda a especulação em relação ao novo disco. Mas a espera chegou ao fim: <em>Black City</em> já aí está e traz-nos um Matthew Dear novamente inspirado. Porque quem sabe o que faz, faz sempre bem o que lhe compete.</p>
<p><span id="more-2543"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Nas primeiras audições, <em>Black City</em> aparenta não possuir o mesmo pulsar contagiante do disco anterior. Uma aparência que ganha mais consistência a cada audição e, até determinada altura, começa do ponto onde <em>Asa Breed</em> ficou. Traduzindo: menos luz e exteriorização, mais escuridão e interiorização. O que não é necessário mau, especialmente se tivermos em conta que estamos a falar de Matthew Dear. Até porque o mesmo transe melódico continua intacto e a esquizofrenia ganha sempre nele um certo glamour. E sinceramente ninguém esperaria um disco igual ao anterior.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro sinal sombrio de <em>Black City</em>: o tema título, faixa com quase dez minutos que inicialmente abre uma janela para um jogo de raios cristalinos e que caminha para uma espiral de &#8220;esquisitice boa&#8221;, curiosamente com vocalizações a lembrar os Liars (!). Já a belíssima <em>Slowdance</em> e também <em>Honey</em> representam todo o lado mais melancólico do músico, irmãs-siamesas de <em>Deserter</em>, um dos temas mais memóráveis da electrónica indie nos últimos anos (com fantasma de Ian Curtis a surgir de forma inesperada). Além disso, o tema final <em>Gem</em>, é a torch song que sempre imaginámos em Dear.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo sinal menos sombrio de <em>Black City</em>: a fluidez com que as dez faixas se apresentam. Mesmo existindo um manto mais negro a pairar pelo álbum, a electricidade colorida que o caracteriza mantem-se bem presente. No fundo, contrapõem-se a tudo o resto, mas contrapõem-se da maneira mais subtil e inteligente possível, respeitando e integrando o cenário intimista que se sente.</p>
<p style="text-align: justify;">Resumindo, este é mais um importante capítulo para um percurso sempre imprevisível e nunca acabado de um dos maiores nomes da electrónica actual. Genericamente menos acessível que <em>Asa Breed</em> mas suficientemente irresistível e pertinente para o escutarmos com atenção.  Adeptos ou não do género, este será um disco prioritário para os próximos meses.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Rita Andrade</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.myspace.com/matthewdear ">Myspace</a><em><strong> </strong></em></p>
<p><em><strong></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=6CWDd5Q7T5A">Black City Video Teaser</a></p>
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		<title>Gala Drop trazem novidades</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 01:23:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Setembro é sinónimo de rentrée e os portugueses Gala Drop trazem novidades. Numa altura em que acabam de reeditar o seu disco estreia em vinil, a banda anuncia agora que no final do mês sairá um EP composto por quatro novos temas (dois deles disponíveis via Myspace). A edição estará a cargo da Gold Channel [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://www.tentracks.co.uk/media/images/569/569_large.jpg" alt="" width="326" height="259" />Setembro é sinónimo de rentrée e os portugueses Gala Drop trazem novidades. Numa altura em que acabam de reeditar o seu disco estreia em vinil, a banda anuncia agora que no final do mês sairá um EP composto por quatro novos temas (dois deles disponíveis via Myspace). A edição estará a cargo da Gold Channel Recordings, nos Estados Unidos, enquanto  por cá será apresentada pela sua própria editora. Mas não é tudo. Já no próximo fim de semana os Gala Drop farão parte do line up da No Ordinary Monkey, em Nova Iorque. Segue-se segunda apresentação ao vivo, no dia seguinte (11 de Setembro&#8230;), na Governors Island ao lado de nomes como Panda Bear (responsável pelo convite da banda), Teengirl Fantasy ou ainda dj set de Avey Tare. Para breve fica ainda a promessa de uma festa de apresentação do novo trabalho nas cidades de Lisboa e Porto.</p>
<p><span id="more-2536"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.myspace.com/galadrop">Myspace</a></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>&#124; Sob Escuta &#124; Prince Rama</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 15:13:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Na senda de trips cósmicas, tantas vezes assentes numa  chamada indirecta de um universo ancestral resgatado à cultura pagã de  tribos indígenas, a planta sagrada maia peyote parece ser aqui um elemento fulcral. Pelo menos nestes dias que correm. Quando em 2009 as Pocahaunted lançavam um fabuloso disco precisamente intitulado Peyote Road, não só a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://cdn.pitchfork.com/media/Prince_Rama.jpg" alt="" width="156" height="156" />Na senda de trips cósmicas, tantas vezes assentes numa  chamada indirecta de um universo ancestral resgatado à cultura pagã de  tribos indígenas, a planta sagrada maia peyote parece ser aqui um elemento fulcral. Pelo menos nestes dias que correm. Quando em 2009 as Pocahaunted lançavam um fabuloso disco precisamente intitulado <em>Peyote Road</em>, não só a própria música como o trabalho gráfico e a forte criação de imagens abriam caminho para uma certa admiração e inspiração &#8220;peyotiana&#8221;. Símbolo de ligação aos espíritos antepassados e objecto de um certo culto na contra-cultultura norte-americana, acaba por ser natural o fascínio em redor da planta e aos supostos <em>novos mundos</em> adjacentes. Ao escutarmos os &#8211; agora simplificados &#8211; Prince Rama (outrora Prince Rama Of Ayodhya), escutamos também os ecos de uma eventual e imaginária tribo, adequada aos tempos modernos q.b.</p>
<p><span id="more-2525"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Do início da década em que a expressão <em>New Weird America </em>tomava as suas próprias proporções até hoje, o percurso dos Prince Rama tem sido cada vez mais auspicioso. Após uma mão cheia de gravações para um circuito musical mais underground, os Animal Collective abriram as portas da sua editora (a Paw Tracks) à banda. <em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Shadow Temple</em> é um disco bizarro, à sua maneira. Não que se apresente como um perfeito objecto OVNI, mas traz com certeza um ambiente minimamente alternativo ao que se poderá escutar em 2010. São notórios os vestígios de alguns pontos característicos de bandas como os Gang Gang Dance e os  Popul Vuh ou ainda de alguns traços de free jazz; contudo, os Prince Rama destacam-se pela criação de uma aura de certo modo multi-dimensional. Canções grandiosas e espaciais conduzidas por percussões inebriantes, coros assombrosos e melodias serpenteantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Escutado o disco, volta a pairar a ideia do peyote e das culturas ancestrais. Não se trata de música janada, trata-se sim de música com um pé assente no passado e outro no futuro. Abençoada ou não pelo peyote, aí será outra questão, que pouco ou nada importa. Esoterismos e psicotrópicos à parte, <em>Shadow Temple</em> contém bons motivos para o visitar. Para quando um culto semelhante para com a Aloe Vera?</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Nuno Afonso</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.myspace.com/princeramaofayodhya">Myspace</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.mesclasonora.com/wp-content/Prince-Rama-Of-Ayodhya-Land-Of-The-Apocalypse-Transcended.mp3">Prince Rama Of Ayodhya &#8211; Land Of The Apocalypse Transcended MP3 Download</a></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
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		<title>&#124; Tracks &#124; No Age: Glitter</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 15:17:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Há mais um regresso a registar este ano. Everything In Between é o título do novo disco dos No Age, numa altura em que a banda passa de duo para trio (com a inclusão de um novo baixista). O single Glitter já pode ser adquirido em formato 7 e 12 polegadas enquanto a edição do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://www.lineupbrasil.com.br/wp-content/no_age-2.jpg" alt="" width="324" height="216" />Há mais um regresso a registar este ano. <em>Everything In Between</em> é o título do novo disco dos No Age, numa altura em que a banda passa de duo para trio (com a inclusão de um novo baixista). O single <em>Glitter</em> já pode ser adquirido em formato 7 e 12 polegadas enquanto a edição do álbum está prevista para dia 28 deste mês, pela mão da Sub Pop. Uma escuta mais prematura anuncia uma maior aproximação ao formato canção e menos dedicação à alquimia sónica que marcou alguns momentos-chave de <em>Weirdo Rippers. </em>Algo que aliás o disco anterior <em>Nouns</em> já faria prever. Neste aspecto, <em>Glitter</em> acaba por se apresentar como sucedâneo dessa tendência mais pop (ainda  que sempre dominada pela sua natural abordagem lo-fi). Adeus experiências, olá canções. Definitivamente.</p>
<p><span id="more-2522"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://cdn.stereogum.com/downloader/?file=%2Ffiles%2Fmp3%2FNo+Age+-+Glitter/">MP3 Download</a></p>
<p style="text-align: justify;">[via Stereogum]</p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>&#124; Ao Vivo &#124; Festival Bons Sons</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 13:18:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[No meio de tanta oferta de festivais de verão que há actualmente em Portugal, há um que nos vai buscar a casa e nos obriga a ir: o Bons Sons é um festival de música portuguesa de raiz mais tradicional, que ocorre a todos os dois anos numa aldeia perto de Tomar, com nome de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://maisfestivais.com/wp-content/uploads/2010/07/bons_sons_2010.jpg" alt="" width="111" height="161" />No meio de tanta oferta de festivais de verão que há actualmente em Portugal, há um que nos vai buscar a casa e nos obriga a ir: o Bons Sons é um festival de música portuguesa de raiz mais tradicional, que ocorre a todos os dois anos numa aldeia perto de Tomar, com nome de lugarejo perdido de um western de John Ford – Cem Soldos – e onde os autóctones se mobilizam para receberem os visitantes, numa autêntica organização comunitária. O Mescla Sonora não resistiu ao apelo e foi ver o que se passou pelos três palcos da edição deste ano do Bons Sons, que encheu as ruas de Cem Soldos até ao limite do tolerável.</p>
<p><span id="more-2516"></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Princezito</strong><br />
O concerto de Princezito foi o ideal para abrir o primeiro de três dias de festival: com os ritmos quentes e sensuais de África, o cabo-verdiano foi, pé ante pé, chamando os mais distraídos para junto do palco e alertando quem andava nas ruas paralelas a ver as barraquinhas da feira de marroquinaria de que o concerto já havia começado. Depois, quando o público já estava reunido, este herdeiro do batuku e da tradição vocal do finaçon trouxe “Lua”, tema que todos reconhecem da voz de Mayra Andrade. A partir daqui, final em festa – ainda com uma versão de “Sodade”, popularizada por Cesária Évora e por Bonga –, em que faltou apenas um bocadinho assim para Princezito encher o palco. Mesmo assim, as suas boas vibrações convenceram o público a traze-lo de volta para o encore.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dead Combo</strong><br />
Os Dead Combo, duo instrumental a guitarra e contrabaixo de Tó Trips e Pedro Gonçalves, são uma das grandes bandas da actual música portuguesa. Toda a gente os conhece e sabe o que esperar, por isso não vale a pena estar a perder tempo com as inevitáveis descrições de westerns em Alfama e lavadeiras no faroeste americano. Vale, isso sim, realçar o quão segura está cada vez mais a banda, especialmente Tó Trips, que como se pode dedicar agora mais aos territórios intimistas com o seu projecto a solo, está mais expansivo na forma omo aborda a guitarra. E isso reflecte-se na música. Portanto, os Dead Combo estão cada vez mais sónicos e mais rock’n’roll: a guitarra eléctrica de Trips está tão urgente e próxima da força primitiva e hormonal do rock como estava Link Wray na primeira vez que tocou “Rumble” ou o Dick Dale quando começou a brincar ao surf-rock. Tempo ainda para as versões já habituais nos seus alinhamentos ao vivo de “Like a Drug”, dos Queen of the Stone Age, e “Temptation”, de Tom Waits. Mesmo assim, esta última continua a soar melhor na simplicidade do “3 Pistas”, do Henrique Amaro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diabo a Sete</strong><br />
Vêm de Coimbra, mas a gaita-de-foles (e demais pífaros), o acordeão e a percussão começam por lembrar a tradição bretã – desde a fiesta dos Pogues, sempre os Pogues, até ao alt-country dos Mekons. Mas os Diabo a Sete têm também adufes, sanfonas e, claro, um inevitável pendor pela tradição minhota e transmontana, num concerto em tom de festa dançante. Contudo, o concerto entrou um pouco numa viagem circular e, por isso, algo repetitiva.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Melech Mechaya</strong><br />
Em festival de world music (ou similar) que se preze, não há fanfarra que não tenha sucesso imediato. Os ritmos ciganos e da música klezmer que os Melech Mechaya emulam com uma projecção punk (olá Gogol Bordello, olá Emir Kusturica, claro) criam esta galvanização que trespassa para o público, com a banda a ter o trunfo de conseguir evitar os riscos de se tornarem repetitivos, recorrendo a pequenos e simples truques que fazem toda a diferença, seja numa versão da sempre apoteótica “Misirlou”, seja na recriação da malha de Michael Jackson, “Smooth Criminal”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lula Pena</strong><br />
O novo álbum de Lula Pena (durante muito tempo um dos segredos mais bem guardados da música nacional) chama-se “Troubadour” e não é por acaso. Lula Pena é uma trovadora que, ao contrário de outros viajantes, exprime o que absorve das suas viagens pela música e não pela literatura. Portanto, cada um dos seus temas é uma viagem (normalmente até são várias), que têm o fado como porto de partida (também não é por acaso que o seu primeiro disco se chama “Phados”, depois de ter ido viver para a Bélgica e percebido a verdadeira essência da palavra saudade) e a música popular brasileira e o tropicalismo como porto de chegada. Pelo caminho, a chanson francesa, o cancioneiro espanhol e também a música ligeira anglo-saxónica vai servindo de porto de abrigo, numa interpretação entre as cordas da sua viola acústica e a sua voz profunda, mas também onde o silêncio é elemento fundamental na sua música.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Norberto Lobo</strong><br />
Também no cenário respeitoso da igreja de Cem Soldos (onde minutos antes tinha estado Lula Pena), Norberto Lobo subiu ao altar para receber a bênção de uma nave a abarrotar de gente em trajes pouco habituais para um espaço daqueles, cuja ovação final reconheceu-o como um mestre na tradição da guitarra. Já tínhamos Carlos Paredes e António Chainho e agora temos Norberto Lobo a pontuar a história da arte de bem tocar guitarra em Portugal. No entanto, Norberto Lobo trouxe uma surpresa ao Bons Sons: uma loop station para encerrar o concerto com uma textura de mantras vocais, talvez influenciado pela sua nova super-banda, os Tigrala. Depois, uma outra surpresa, mas esta algo confrangedora: sem ninguém perceber muito bem até onde aquele momento deveria ser levado a sério, Norberto chamou Manuel Lobo para uma breve incursão por uma melodia ao órgão e ao pífaro, que pareceu uma das minhas aulas de Música no ciclo, quando estávamos 38 tipos sem qualquer formação musical a tentar aprender a tocar o “Yellow Submarine”, para desespero da impotente professora. Felizmente, para o encore, Norberto Lobo trouxe um ukelele para se redimir. E é sabido que um ukelele funciona sempre para desculpar alguém.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>B Fachada</strong><br />
Os concertos na igreja de Lula Pena e Norberto Lobo atrasaram-se um pouco e B Fachada não esperou por nós para começar a sua actuação no palco Giacometti. E quando lá chegámos, eis algo que ele “não costuma fazer muitas vezes”: uma versão de “Etelvina”, de Sérgio Godinho. Confesso que, por mais força que faça, custa-me a perceber o fenómeno B Fachada: gosto de alguns temas, tem momentos bastante felizes enquanto letrista e a forma como resgatou a viola braguesa do quase esquecimento para a música popular é fantástica. Mas o seu timbre de voz irrita-me, a sua presença em palco demasiado descontraída (engana-se várias vezes e não se importa com isso) faz com que pareça que não está a levar aquilo a sério e, algumas músicas com bateria e contrabaixo por trás, fazem lembrar mais vezes que o recomendável o… Rui Veloso. No entanto, depois saca da cartola momentos como “Os Discos do Sérgio Godinho”, do novo álbum “Há Festa na Moradia”, ou o impecável “Zé!”, de “Um Fim-de-semana no Pónei Dourado” (que encerrou a actuação), e deixam-me sem saber o que pensar, fazendo desta crónica um texto paradoxal e contraditório. B Fachada é um tipo de extremos, de quem se ama ou odeia. E isso tudo dentro do mesmo concerto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diabo na Cruz</strong><br />
Rocklore ou trad-rock, perguntava o folheto informativo do Bons Sons no texto dedicado aos Diabo na Cruz, a super-banda que junta, entre outros, Jorge Cruz, B Fachada e Bernardo Barata. E nós respondemos rocklore sem qualquer hesitação, especialmente depois de os ver ao vivo. Porque os Diabo na Cruz são uma banda rock, começando pela estrutura tradicional – guitarra, bateria e baixo, mais viola acústica e teclas – e terminando nos arranjos das canções. E, ao vivo, são uma banda de estádio, com jogos de luzes, strobs a piscar por todo o lado e um espectáculo assinalável em cima do palco. Os Diabo na Cruz são os U2 do rocklore e têm arcaboiço para aguentar a jogada, com uma música de raiz tradicional em arranjos rock – sempre a guitarra eléctrica como actor principal (Jorge Cruz tem pinta para o lugar de frontman) e a bateria a marcar o ritmo. Como uns Gaiteiros de Lisboa nas anfetaminas – e a comparação não é por acaso, uma vez que houve versão de “Lenga Lenga”, com as teclas a deslizarem por territórios psicadélicos –, o concerto de Diabo na Cruz foi do melhor que passou pelo Bons Sons deste ano, uma locomotiva de rock’n’roll para dançar o vira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dazkarieh</strong><br />
A intenção dos Dazkarieh, banda lisboeta com grande rodagem por festivais de world music por esse mundo fora, é das melhores, ao querer proporcionar uma leitura mais moderna da música tradicional portuguesa. É certo que existem instrumentos menos convencionais, chamemos-lhes assim – a sanfona, a gaita-de-foles, o adufe… -, mas o que os Dazkarieh nos oferecem são arranjos muito limpinhos, mais próximas da pop-festival-da-canção do que do rock-tradicional-fusão e com uma componente lírica bastante forte. A sério, no Festival da Canção a representarem Portugal aposto que fariam um brilharete, mas ao vivo num festival de verão é balofo e cansativo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Terrakota</strong><br />
Houve uma altura em que os Terrakota estavam em todo o lado: íamos a uma queima das fitas e eles estavam lá; íamos a Paredes de Coura ou ao FMM e eles estavam lá; íamos às festas aqui da terreola e eles estavam lá; levantávamo-nos há noite para ir à casa-de-banho e eles estavam lá; dávamos um pontapé numa pedra e eles estavam lá debaixo… Depois o fulgor foi-se apaziguando e a banda foi-se estabelecendo, aprimorando a mestiçagem dos sons da “África colonial” (e não só). Perdeu o imediatismo da experimentação, mas oleou a sua máquina de dançar, que já não é só a da África negra, mas é também a do Caribe ou a da Jamaica. Sabe sempre melhor ao vivo e ao fim de noite do que em disco, mas já no início era assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Pedro Soares</strong> e <strong>Helena Reis</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.bonssons.com/">Site Bons Sons</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mescla Sonora Podcast # 8</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/podcast8/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Aug 2010 16:26:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Por esta altura já parte do país se encontra em pausa de verão. Seguindo a tradição, também nós entraremos em período de congelamento cerebral; mas não antes sem vos oferecer mais uma mistura musical com algumas das novidades e dicas para musicar o vosso Agosto, seja em férias ou trabalho. É com agrado que temos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://www.umbyte.com/images/PodcastLogo.jpg" alt="" width="161" height="178" />Por esta altura já parte do país se encontra em pausa de verão. Seguindo a tradição, também nós entraremos em período de congelamento cerebral; mas não antes sem vos oferecer mais uma mistura musical com algumas das novidades e dicas para musicar o vosso Agosto, seja em férias ou trabalho. É com agrado que temos estado a escutar no novo disco de <strong>Matthew Dear</strong>, mago da electrónica mais angular e sem fronteiras, dos nossos tempos. Naturalmente que não resistimos em também incluí-lo para este podcast número 8. Outro regresso esperado é de <strong>Panda Bear</strong>, para já apenas em registo single e que poderão escutar aqui um desses novos dois temas. E porque em deste lado a produção musical nacional não pára de surpreender, também os <strong>Paus </strong>fazem parte desta selecção de Agosto. De resto, poderão escutar nova música dos <strong>The Roots</strong> (acompanhados pelas meninas dos <strong>Dirty Projectors</strong>),<strong> Caribou</strong>, <strong>James Blake</strong> ou <strong>Pocahaunted</strong>. Há muito para ouvir e (re)conhecer. Boas férias, bom trabalho e boas audições, nós voltamos em Setembro xoxoxoxox</p>
<p><span id="more-2509"></span></p>
<p>Mescla Sonora :: Podcast # 8</p>
<p>Size: 59 MB</p>
<p>Quality: 160 kbps</p>
<p>Running time: 51m22s</p>
<p>======================</p>
<p>[00:00-02:25] <strong>Monster Rally</strong>: The Wolf</p>
<p>[02:26-08:04] <strong>Caribou</strong>: Sun</p>
<p>[08:05-17:20] <strong>Matthew Dear</strong>: Little People (Black City)</p>
<p>[17:21-21:19] <strong>Dream Boat</strong>: Your Beaches</p>
<p>[21:20-25:12] <strong>Paus</strong>: Pelo Pulso</p>
<p>[25:13-29:53] <strong>Hotel Mexico</strong>: Its Twinkle</p>
<p>[29:54-34:03] <strong>Pocahaunted</strong>: Make It Real</p>
<p>[34:04-35:43] <strong>Hanoi Janes</strong>: I Dig You</p>
<p>[35:44-37:42] <strong>R. Stevie Moore</strong>: I Wanna Hit You</p>
<p>[37:43-41:49] <strong>Panda Bear</strong>: Tomboy</p>
<p>[41:50-43:37] <strong>The Roots</strong>: A Peace Of Light (feat. <strong>Dirty Projectors</strong>)</p>
<p>[43:38-47:11] <strong>James Blake</strong>: CMYK</p>
<p>[47:12-51:22]<strong> TV On The Radio</strong>: Staring At The Sun (Diplo Remix)</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="440" height="85" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="flashvars" value="jsonLocation=http://mesclasonora.podomatic.com/entry/embed_params/2010-08-06T09_04_02-07_00&amp;color=#40c700&amp;autoPlay=false&amp;width=440&amp;height=85" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://mesclasonora.podomatic.com/swf/joeplayer_v7.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="440" height="85" src="http://mesclasonora.podomatic.com/swf/joeplayer_v7.swf" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" flashvars="jsonLocation=http://mesclasonora.podomatic.com/entry/embed_params/2010-08-06T09_04_02-07_00&amp;color=#40c700&amp;autoPlay=false&amp;width=440&amp;height=85"></embed></object></p>
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		<title>Programação da Culturgest até Dezembro</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 18:01:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Numa altura em que o país está parcialmente parado e entregue à silly season, a Culturgest apresenta a sua programação para os próximos meses. Na área musical, e especialmente no jazz, há a destacar o trio composto por Carlos Zíngaro + Miguel Mira + Paulo Curado (dia 26, no Pequeno Auditório). A apresentação As Soon [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="White Magic"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://expressnightout.com/content/photos/2007-12-11-white-1.jpg" alt="" width="321" height="216" /></a>Numa altura em que o país está parcialmente parado e entregue à <em>silly season</em>, a Culturgest apresenta a sua programação para os próximos meses. Na área musical, e especialmente no jazz, há a destacar o trio composto por <strong>Carlos Zíngaro + Miguel Mira + Paulo Curado</strong> (dia 26, no Pequeno Auditório). A apresentação As Soon As Possible reúne outro trio liderado por <strong>Vincent Courtois </strong>(7 de Outubro) enquanto a <strong>Saxophone Summit</strong> reúne uma série de prestigiados saxofonistas e não só, entre eles, Michael Brecker, Dave Liebman e Joe Lovano. Do quadrante mais vanguardista, chega também o projecto nacional <strong>Zul Zelub </strong>acompanhado pelo percussionista<strong> Eddie Prévost </strong>(10 de Dezembro)<strong>. </strong>Fora do jazz, comissariados pela Filho Único e exclusivamente para a Culturgest do Porto, há a marcar a estreia dos norte-americanos <strong>White Magic </strong>(senhores da folk mais esotérica e aventureira) no dia 26 de Novembro; e ainda<strong> Daniel Carter, William Parker &amp; Federico Ughi</strong> (trio de improvisação jazz/rock/noise)<strong> </strong>no dia 17 de Novembro.<strong> </strong>Como é habitual, muitos<strong> </strong>destes concertos têm entrada de cinco euros, pelo que sobram poucas razões para perder esta temporada musical da Culturgest.</p>
<p><span id="more-2503"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.culturgest.pt/">Site Culturgest</a><strong><br />
</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#124; Ao Vivo &#124; Festival Músicas do Mundo de Sines</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 15:21:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O Festival Músicas do Mundo (FMM) de Sines continua a ser um festivais dos mais especiais do verão nacional. Mais do que uma autêntica montra de world music, o FMM tem uma boa onda incrível, que se mistura com o sol e a praia da costa vicentina, o constante cheiro a ganza e inúmeras hordas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://maisfestivais.com/wp-content/uploads/2010/03/Festival-Musicas-do-Mundo.jpg" alt="" width="148" height="148" />O Festival Músicas do Mundo (FMM) de Sines continua a ser um festivais dos mais especiais do verão nacional. Mais do que uma autêntica montra de world music, o FMM tem uma boa onda incrível, que se mistura com o sol e a praia da costa vicentina, o constante cheiro a ganza e inúmeras hordas de pacíficos freaks de rastas, djambés e uma aparente aversão pelos chuveiros. Este ano, em tempos de crise financeira, a edição do FMM foi reduzida em dias – aboliu-se a extensão em Porto Covo e passou a haver mais um concerto no Castelo de Sines. Perdeu-se em quantidade, ganhou-se em qualidade. Pessoalmente, prefiro-o assim.</p>
<p><span id="more-2493"></span></p>
<p><strong>Vitorino e Janita Salomé com o Grupo de Cantadores do Redondo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Voltou a caber à música portuguesa a honra de abrir mais uma edição do FMM, algo que já começa a ser uma tradição. Desta vez a tarefa ficou a cabo dos irmãos Salomé: Vitorino, o mais mediático; Janita, o mais virtuoso; e o outro, o que ficou lá atrás a tocar viola e a fazer segundas vozes. Naturais do Redondo, os irmãos trouxeram o Grupo de Cantadores lá da terra (que ajudaram a criar, sob a alçada de Zeca Afonso) para um espectáculo em estreia absoluta, em que recriaram o cante alentejano com umas roupagens mais modernas, num conjunto de modinhas alentejanas criadas por António Lobo Antunes, clássicos de Zeca Afonso e outras canções tradicionais do cancioneiro popular alentejano. Com a versatilidade vocal de Janita Salomé, o Grupo de Cantadores do Redondo mais empenhado em cantar e menos em beber vinho nas tasquinhas ao lado do palco e o conjunto mais afinado, espera-se um concerto ainda melhor na Festa do Avante.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://www.modogroove.com/wp-content/uploads/2009/06/l_01.jpg" alt="" width="330" height="277" /></p>
<p><strong>Cacique’97</strong></p>
<p style="text-align: justify;">São uma das grandes descobertas do underground lisboeta dos últimos tempos: os Cacique’97 cruzam a tradição rítmica africana com o afrobeat nigeriano, numa autêntica big band mestiça, liderada por Milton Gulli, cuja voz algo flat acaba por transformar os temas mais calmos em bocejos mais desinteressantes. O concerto pecou por duas coisas: por ter sido colocado às sete da tarde e por ter sido posto no dia mais calmo do festival. Mas já deu para começar a desenferrujar as ancas, antevendo o que aí vinha. Ah, e no encore, uma versão da Orchestra Baobab.</p>
<p><strong>Nat King Cole en espagnol</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Compreendo que o David Murray já faz parte da prata da casa. O saxofonista norte-americano enamorou-se pelo festival e por Sines na primeira vez que lá foi e tem estado presente em quase todas as edições, para tocar ou para dar masterclasses e workshops. Além disso, comprou casa no centro da cidade e tem colaborado com a comunidade local. Claro que o FMM não pode (nem deve) desprezar esta relação com um dos mais importantes músicos jazz contemporâneos. Mas um espectáculo como este perdeu claramente no cenário do castelo de Sines; recriar os êxitos que o crooner Nat King Cole gravou em espanhol pelo free-jazz do saxofone de Murray, uma secção de sopro cubana virtuosa e as cordas da Sinfonieta de Sines pedia uma sala fechada e cadeiras. Assim, foram duas horas que custaram a passar e que, se não fosse a participação especial (mas, infelizmente, curta) de Daniel Melingo (uma personagem esguia e com uma buzina na garganta &#8211; e, aparentemente, algum álcool a mais no sangue – a cantar tango como deve ser), teria sido mais extenuante. Além disso, qual a ideia de recriar os êxitos latinos de Nat King Cole em Portugal? Eu sei que o espanhol é um dialecto português parecido com a língua de Camões (Ramos Horta dixit), mas a fase castelhana de Nat King Cole não é coisa que impressione ninguém que conheça o reportório completo do músico americano.</p>
<p><strong>Las Rubias Del Norte</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As Rubias Del Norte têm um conceito para a sua música: se não tivesse acontecido a revolução rock, a música latina continuava a dominar as tabelas e as pistas de dança de todo o mundo. E elas, provavelmente, seriam uma das bandas mais importantes da actualidade. Como isso não aconteceu, Emily Hurst e Allyssa Lamb dedicam-se a dar apenas mais visibilidade às rumbas, aos cha-cha-chas, às salsas e a outros ritmos latinos, com arranjos mais jazzy, que piscam o olho à ingenuidade onírica e infantil do primeiro álbum das CocoRosie (mas sem os sons de brinquedos e outras polifonias inesperadas), ao formato pop-festival da canção (olá ABBA) e às sonoridades lounge, que tanto sucesso fazem no nosso país com os Nouvelle Vague e aquelas compilações que transformam os sucessos estafados pela rádio de bandas consolidadas (olá Rolling Stones, olá Guns n’ Roses) em hits de bossa nova para serões à beira-mar a comer crepes e a beber caipirinhas com o dedo mindinho esticado.</p>
<p><strong>Céu</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Caetano Veloso, nome máximo da música popular brasileira e do tropicalismo, considerou Céu o futuro da música brasileira. Céu alia um vozeirão quente e sensual à MPB e leva-a a um novo nível de modernidade, atirando-lhe uns pozinhos de electrónica (DJ Marco é o dj de serviço e um scratcher de eleição). Concerto sóbrio e sem grandes golpes de asa.</p>
<p><strong>Wimme</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É para isto que servem os festivais de world music. Ou pelo menos, é isto que eu espero de um festival de world music. Ouvir e descobrir novas sonoridades de locais do mundo que, em situações normais, não teríamos possibilidade de escutar. Wimme é a banda que acompanha Wimme Saari, finlandês do povo Sami do norte da Escandinava. O concerto começou pelos ritmos minimais de um blues que Tom Waits não desdenharia, com grande percepção pelos jogos silenciosos e com Wimme Saari a fazer uso de uma voz gutural e de jogos vocais imperceptíveis. Depois, o clarinete baixo de Tapani Rinne foi transformando-se em dronne e as cordas de Matti Wallenius entrando em jogos circulares, aproximando a música dos Wimme cada vez mais de uma percepção sensorial e xamânica, que nós associamos mais à música nórdica, via Sigur Rós. A voz única de Wimme Saari é mais uma forma de tecer estes mantras que grupos como os DOPO deveriam escutar mais vezes, mas a parte alta do concerto foram os três joikes que Wimme interpretou a solo – canções apenas vocais, dedicadas a animais da natureza, num cantar entre as polifonias tibetanas e o blues de tradição vocal de Leadbelly ou Son House.</p>
<p><strong>Yasmin Levy</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Yasmin Levy é israelita descendente dos judeus que forma expulsos da Espanha em 1400 e muitos. Por isso, no seu sangue ainda corre o ADN do cancioneiro ibérico que os seus antecedentes cantavam, inclusive em ladino, língua que está em riscos de extinção. Por isso, não admira que o repertório de Yasmin Levy seja uma mistura da passion castelhana com o romantismo dos gloriosos tempos passados em que a península ibérica era o centro do mundo, os ritmos do flamenco e a profundidade sentimental do fado. Aliás, se tivesse nascido em Portugal, Yasmin Levy teria tudo para ser uma grande fadista.</p>
<p><strong>N’dial</strong></p>
<p style="text-align: justify;">N’diale significa “o prazer de estar juntos” e serve para descrever este encontro feliz entre o Jacky Molard Quartet e o Founé Diarra Trio. Ou seja, é o mesmo que explicar que N’diale é um projecto que funde a música tradicional bretã (a fiesta dos Pogues sempre presente, especialmente no violino de Moulard ou no acordeão) e aquilo que se convencionou chamar, anos mais tarde, de alt-country, com os ritmos malianos da cantora Founé Diarra. Resumindo e baralhando: cruzamento explosivo dos ritmos africanos de tradição mandinga com os ritmos das festas bretãs regadas a vinho e força acústica.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/_uB-0D-gV8mY/RwbbWnuamYI/AAAAAAAAEXU/mz_BlF01zw0/s400/mekons" alt="" width="260" height="257" /></p>
<p><strong>The Mekons</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E por falar em alt-country, que tal se falarmos daqueles que foram uns dos responsáveis pelo cunho deste termo? Os Mekons que vieram a Sines estão cada vez mais country e cada vez mais longe dos tempos em que, ao lado de gente como os Gang Of Four, andavam a colocar o prefixo pós ao punk. Sentados em semi-círculo e apenas recorrendo ao poder dos instrumentos acústicos e da percussão, criaram o fim de noite perfeito para uma festa que inclui, obrigatoriamente, vinho e muita dança colectiva (mesmo que sirva para que Tom Greenhalgh, em grande forma, parodiar o sapateado do Riverdance).</p>
<p><strong>Grupo Fantasma</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Prince considera este Grupo Fantasma como a maior orquestra latina dos Estados Unidos. E se sua iminência assim o diz é porque é. O concerto de Sines foi, portanto, passe a redundância, apenas para os mais cépticos confirmarem isto. O Grupo Fantasma trouxe para o <em>after</em> da avenida da Praia, em Sines, os ritmos latinos que mais devem ao funk. Claro que para quem não é um rei do mambo estas coisas cansam ao fim de algum tempo.</p>
<p><strong>Kimi Djabaté</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se olharmos para o mapa, vemos que a Guiné não fica muito longe do Mali. E se costumamos vir a Sines, já descobrimos que no Mali não existe má música. Kimi Djabaté, guineense estabelecido em Lisboa, relembrou-nos destas duas premissas, com uma actuação diabólica de levantar poeira, lembrando-nos a cultura griot, mas também os ritmos mais quentes da morna cabo-verdiana e da música angolana.</p>
<p><strong>The Rodeo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Esta edição do FMM marcou o ano em que a música tradicional norte-americana veio em força ao festival. E porque não? Afinal, os Estados Unidos são um país do mundo e, como tal, a música que lá se faz é também world music. The Rodeo é uma menina francesa que tem a  um lado americano a correr-lhe nas veias e canta folk e country como uma mulher vivida do Texas (olá Loretta Lynn, olá Dolly Parton). E no alinhamento até houve a inevitável versão de <em>Ring of Fire</em>, de Johnny Cash.</p>
<p><strong>Sa Dingding</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sa Dingding é uma das maiores estrelas da música chinesa, mas se não tivesse nascido para lá do sol posto não poria os pés em Sines, de certezinha absoluta. É que a sua música pouco tem da tradição musical chinesa, sendo antes um power-pop espalhafatoso, mais perto dos espectáculos grandiosos da Madonna e da electrónica-esquisita de Björk (nem que seja pela verborreia que não se percebe nada). Mas com voz lírica estridente, claro.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://fluxmag.com/wp-content/uploads/2010/03/Tinariwen.jpg" alt="" width="390" height="260" /></p>
<p><strong>Tinariwen</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os reis do deserto do Sahara são já uma presença regular em Portugal e, por isso, sabemos com o que podemos contar. Blues do deserto (olá Ali Farka Touré), em desenhos circulares, que colocam os Tinariwen a jogar no campeonato rock com uma segurança impressionante, que faz o Benfica de Jorge Jesus repensar a sua táctica. A isto aliam uma presença em palco gigante e uma dinâmica colectiva de quem faz isto há muito tempo, colocando os backing vocals a dançarem na boca do palco de forma irresistível.</p>
<p><strong>Forró in the Dark</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E, de repente, a avenida da Praia parecia aqui a minha rua no sábado à tarde: forró em altos berros, brasileiros a gritar e cerveja por todo o lado. Os Forró in The Dark são três brasileiros estabelecidos nos Estados Unidos que deram viabilidade ao forró nordestino, trazendo-o para as pistas de dança e injectando-o de anfetaminas, dub e outras modernices. E, tal como os outros ritmos urbanos que andam a contagiar as pistas de dança (os Buraka Som Sistema, a MIA ou os Bonde do Role), o forró dos Forró in the Dark transforma-se em algo irresistível ao corpo, um verdadeiro inimigo da letargia. Mas não deixa de ser forró.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Galaxy</strong></p>
<p style="text-align: justify;">À segunda música dos Galaxy, a Jamaica telefonou e pediu a sua música de volta. Timorenses a cantar reggae não é nada de especial, mesmo que seja a primeira banda de Timor a tocar na Europa. Depois lá foram pisando outras sonoridades mais modernas, com o hip-hop e guitarradas rock mais altas, sempre com (alegadamente) letras de intervenção e resistência. Aliás, antes de começar o concerto, a banda esteve a discursar contra o colonialismo. Mas a coisa nunca foi além disto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lole Montoya</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Lole Montoya é um dos principais nomes do novo flamenco. Cantora e “bailaora”, Montoya transforma a tradição sevilhana flamenca em divagações mais jazz, abrindo os horizontes da sua música. No entanto, o mais impressionante da sua música continua a ser o seu vozeirão. Dispensava-se era tanto encore.</p>
<p><strong>Cheick Tidiane Seck feat. Mamani Keita</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Já aqui o dissemos: não há maus músicos no Mali. Cheick Tidiane Seck é um desses casos: virtuoso do hammond, Seck lidera uma verdadeira orquestra rock-funk, descendente da escola de Bamako, mas que não tem medo de ir beber à tradição afrobeat de Fela Kuti ou ao funk de James Brown. Para Sines, trouxe o maior baixista que alguma vez vi a solar e a cantora Mamani Keita, que já havia passado por Sines em nome individual, mas que desta vez só veio fazer o mesmo que a mesinha ali do canto da minha sala está a fazer: decorar. Dispensava-se tanta balada e pedia-se mais música para abanar o rabo.</p>
<p><strong>Staff Benda Bilili</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os Staff Benda Bilili são uma banda congolesa formada por deficientes motores vítimas da poliomielite e retirados das ruas de Kinshasha. Ganharam vários prémios, ouvimos dizer, e ao início tememos que tivesse sido apenas por simpatia ou compaixão. Mas depois vemo-los ao vivo e é como ver o <em>Crippled Masters</em>, mas com músicos, em vez de artes-marciais: os Staff Benda Bilili são uma máquina rítmica infernal e, apesar das suas condições físicas, não têm complexos em se atirarem das cadeiras de rodas para o chão e dançarem desenfreadamente. E se eles, mesmo sem pernas, dançam a noite toda, porque é que nós não o havíamos de fazer também?</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://cronicasdaterra.com/cronicas/wp-content/uploads/staffbendabilili.jpg" alt="" width="269" height="267" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>U-Roy</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chamam-lhe The Originator e a sua carreira justifica: U-Roy ajudou a transformar o reggae num género universal, sendo um dos nomes fundamentais do toasting, no tempo em que o dj era um tipo que rapava por cima dos pratos a rodar nas sound systems, discotecas ambulantes e roufenhas que rebentavam com as ruas da Jamaica. Por isso, esperávamos mais do que um reggaezinho convencional, guitarra ritmo em constante péum-péum péum-péum, mcs retirados a fórceps do r&amp;b e U-Roy quase em modo automático.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Texto:<em><strong> Pedro Soares</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.flickr.com/photos/fmmsines2010/">Fotos FMM 2010</a><em><strong><br />
</strong></em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#124; Tracks &#124; Marnie Stern: For Ash</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 15:31:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[É altura de erguer braços (e guitarras) no ar: Marnie Stern está de volta. E não nos deixar ir para o período oficial de sol &#38; banhos sem antes nos espicaçar com um novo tema. Ainda que o disco só tenha saída prevista para 5 de Outubro, a editora Kill Rock Stars já disponibilizou a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://sonicitchmusic.com/post%20pics/marnie%20stern.jpg" alt="" width="174" height="131" />É altura de erguer braços (e guitarras) no ar: Marnie Stern está de volta. E não nos deixar ir para o período oficial de sol &amp; banhos sem antes nos espicaçar com um novo tema. Ainda que o disco só tenha saída prevista para 5 de Outubro, a editora Kill Rock Stars já disponibilizou a faixa de abertura, <em>For Ash</em>. Sempre com a companhia desse deus da bateria que é Zack Hill (Hella), Stern deixa transparecer mais uma dose de frenesim sónico &#8211; aqui especialmente devedor às composições de Glenn Branca. O sucessor de <em> This Is It and I Am It and You Are It and So Is That and He Is It and She Is It  and It Is It a</em><em> </em><em>nd That Is That </em>promete ter um título bem mais curto; de facto, tão curto e simples como o nome da própria artista. Sentido de humor é  uma coisa bonita.</p>
<p><span id="more-2488"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://krs5rc.com/krs/bands/marniestern/audio/ForAsh.mp3">MP3 Download</a></p>
<p><em><a title="This Is It and I Am It and You Are It and So Is That and He Is It and She Is It and It Is It and That Is That" href="/wiki/This_Is_It_and_I_Am_It_and_You_Are_It_and_So_Is_That_and_He_Is_It_and_She_Is_It_and_It_Is_It_and_That_Is_That"><br />
</a></em></p>
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		<title>Jazz em Agosto de regresso</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 14:59:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
Entre os dias 6 e 15 de Agosto o anfiteatro ao ar livre da Fundação Calouste Gulbenkian volta a receber mais uma edição do Jazz Em Agosto. Este ano há a destacar as presenças de Evan Parker Electro-Acoutic Ensemble, Louis Sclavis (com a apresentação Lost On The Way), John Surman &#38; Jack DeJohnette ou ainda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IdL4ekvq_M0/SIP0hN_RW2I/AAAAAAAAC8g/l521h5EiPjo/s400/EvanParker.BillSmith.jpg" alt="" width="324" height="223" />Entre os dias 6 e 15 de Agosto o anfiteatro ao ar livre da Fundação Calouste Gulbenkian volta a receber mais uma edição do Jazz Em Agosto. Este ano há a destacar as presenças de <strong>Evan Parker Electro-Acoutic Ensemble, Louis Sclavis </strong>(com a apresentação <em>Lost On The Way</em>)<strong>, </strong><span><strong>John Surman &amp; Jack DeJohnette</strong> ou ainda</span><span><strong> Circulasione Totale Orchestra </strong>entre outros. E como nem só de música ao vivo se faz o Jazz Em Agosto, também se poderá assistir à conferência &#8220;Jazz Americano e Jazz Europeu: Um diálogo não interrompido&#8221;, apresentado por Francesco Martinelli, assim como à visualização do documentário<strong> </strong></span><em>Han Bennink «Hazentijd </em>(de Jellie Dekker e Dick Lucas). Os bilhetes diários custam 20 euros (descontos para maiores de 65 anos e menores de 25 anos) e podem ser adquiridos na própria Gulbenkian, Recepção do CAMJAP ou no site do fetsival.</p>
<p><span id="more-2483"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.musica.gulbenkian.pt/jazz/index.html.pt">Site Jazz Em Agosto</a></p>
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		<title>&#124; Ao Vivo &#124; Flower Corsano Duo + Z´EV &amp; David Maranha</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 18:41:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Noite de reis na ZDB. Dois duos que não só transportam em si toda a experiência e criatividade de cada elemento como também continuam a lançar importantes pistas para o futuro da música. É na palavra liberdade que ambos se encontram, ainda que através de diferentes formas. Estranhamente, ou nem tanto, contemplação é algo que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Noite de reis na ZDB. Dois duos que não só transportam em si toda a experiência e criatividade de cada elemento como também continuam a lançar importantes pistas para o futuro da música. É na palavra liberdade que ambos se encontram, ainda que através de diferentes formas. Estranhamente, ou nem tanto, contemplação é algo que paira por aqui.</p>
<p><span id="more-2479"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Flower Corsano Duo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Da celebração do ruído e da espiritualidade oriental, Chris Corsano e Michael Flower têm criado um universo francamente fascinante. Muito além da confrontação noise ou da entrega do free-jazz, o duo reúne estas e outras linguagens num lugar unicamente seu. De um lado o <em>shaahi baaja </em>(instrumento híbrido, algures entre um banjo eléctrica e uma sítara) de Flower; do outro a bateria vulcânica de Corsano.</p>
<p style="text-align: justify;">A cumplicidade entre os dois é indiscutível. Sem descurar na prestação de Flower &#8211; talvez por ser menos imediata &#8211; as atenções iniciais inevitavelmente caem em Chris Corsano. A classe do baterista impressiona quem o vê e seguir a sua dinâmica rítmica apresenta-se como um fabuloso exercício, mesmo para quem não tem qualquer tipo de noção e/ou iniciação no instrumento. Por outras palavras, sente-se de forma muito directa o calibre do músico. A Flower reconhece-se a criação de complexas malhas sónicas, numa constante e libertadora fonte de energia. Talvez semelhante aquela que escutamos em disco como <em>Wonderful Rainbow</em> dos Lightning Bolt ou no sempre deslumbrante <em>Black Woman</em> de Sonny Sharrock. E de lembrar que tudo isto sai de um bizarro instrumento de cordas que dificilmente soará como qualquer outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de ampla e tantas vezes desvirtuada, a palavra zen acaba por ser chave de ouro para a música incendiária de Flower Corsano Duo. Uma única e extensa faixa que constituiu a apresentação arrebatadora que já se esperava e naturalmente, se veio a confirmar.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Z´EV &amp; David Maranha</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se Flower Corsano Duo acentuam intensidade à sua música através de uma frenesim energético e magnético, já Z´EV e David Maranha atingem-na através de um abordagem mais negra e cerebral. Algo que até nem é de estranhar dado percurso de Z´EV, um dos pioneiros na música industrial e figura maior na música improvisada internacional.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir de um complexo jogo de percussão em cenário pós-maquinal, Z´EV soube construir um momento ritualista negro que ganhou corpo e forma a seu próprio tempo. A partir de um clima de tensão em que o silêncio é peça vital, o caminho traçado assentou numa construção em crescendo  que em muito se intensificou pela excelente prestação de Maranha. O membro dos Osso Exótico teceu sabiamente um cuidadoso manto sonoro sobre o ritmo frio e evocativo produzido pelo músico norte-americano. Uma estrutura inteligente que traz surpresa no que diz respeito à criação de paisagens sonoras apocalípticas ou simplesmente cinemáticas. Uma busca  energética pela face mais obscura da música e &#8211; em certa medida &#8211; igualmente próxima de uma atmosfera e filosofia orientais.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Nuno Afonso</strong></em></p>
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		<title>&#124; Vídeo &#124; !!!: AM/FM</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 16:26:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Strange Weather, Isn´t It? Esta é a pergunta que os !!! &#8211; Chk Chk Chk &#8211; nos fazem e que dá título ao novo álbum. Numa altura em que foram também anunciadas datas da digressão europeia (que incluem Lisboa e Porto, 9 e 10 de Novembro, respectivamente), já se pode ver e escutar o primeiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://www.themusicslut.com/wp-content/uploads/2010/06/ChkChkChk.jpg" alt="" width="169" height="169" />Strange Weather, Isn´t It?</em> Esta é a pergunta que os !!! &#8211; Chk Chk Chk &#8211; nos fazem e que dá título ao novo álbum. Numa altura em que foram também anunciadas datas da digressão europeia (que incluem Lisboa e Porto, 9 e 10 de Novembro, respectivamente), já se pode ver e escutar o primeiro tema a ser conhecido. O vídeo para o tema <em>AM/FM </em>já por aí anda a rodar no site oficial da banda e blogosfera. Com a mão mutante dos amigos Black Dice na produção visual, não será pois de estranhar o nível de psicadelismo e bizarria que caracterizam o trabalho. Ainda que musicalmente os !!! não nos surpreendam substancialmente neste tema, o vídeo faz uma interessante ponte entre o cenário único de Madchester e a iconografia pop de NY.</p>
<p><span id="more-2472"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Visões caleidoscópicas em cores e formatos que tanto nutrem de um sentido hipnótico-expressivo como de um lado assumidamente festivo. No fundo, a própria premissa dos !!!, agora numa linguagem visual.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="426" height="342" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/LO_AofgXHFU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="426" height="342" src="http://www.youtube.com/v/LO_AofgXHFU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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