| Discos | Dan Melchior: Assemblage Blues [Siltbreeze, 2011]
Mai 11th, 2011 | Por Nuno Afonso
Num ano em que os White Stripes puseram termo a uma carreira curta mas intensa, foi a partir de uma referência de Jack White, e pela insistência do nosso editor, que cheguei a Dan Melchior. No ano em que o esfera rock perdeu esta coordenada, ouvir o novo álbum de Melchior faz-me concluir que afinal os White Stripes eram simplesmente simpáticos embora os ocasionais bons momentos. Felizmente, Assemblage Blues justifica a referência e afirma-se como muito mais que um bom disco rock. Sabemos que da editora Siltbreeze já é hábito receber alguma da música mais desafiante feita com guitarras e é precisamente isso que este disco traz. O blues (e afins) como nunca ouvimos antes.
Ao longo do seu percurso, Melchior já colaborou com Holly Golightly e Billy Childish, tendo já um considerável número de edições em nome próprio. É portanto natural sentirmos em Assemblage Blues o chamado savoir faire de um músico tecnicamente preparado e criativamente elaborado, que sabe – e procura – transportar o ouvinte para um universo oblíquo e distante, de sons irreconhecíveis vindos de uma guitarra mutante ou até mesmo de uma simples acústica. Denotamos, através dos doze temas aqui presentes, que existe uma veia experimentalista que percorre todo o disco, sem com isto o tornar num objecto demasiado fechado em si ou até mesmo agressivo.
A sonoridade lo-fi de Assemblage Blues acaba por seguir uma abordagem parente a outras bandas da editora como Sic Alps, Dead C ou Blues Control em que o psicadelismo se entende como um elemento nunca esquecido. No caso de Melchior, ele molda-o às suas canções de forma incerta mas certeira. Molda-o à paranóia em faixas como 90’s Man ou Atomizer, molda-o ao insólito que é o tema January 1996 e consegue ainda moldá-lo quando deixa a electricidade de lado e se entrega à contemplação ácida de Riding Like Rommel. É por isso um disco ajustado a diferentes situações e, quem sabe, a diferentes ouvidos.
Provavelmente este será o álbum que chegará a um público mais alargado e há-que acrescentar que com a devida justiça. A bizarria da sua música é certa, mas não afasta, antes aproxima, como quem procura entender melhor o que está ouvir e acaba maravilhado com a descoberta. Dan Melchior é o primeiro vencedor de 2011.
Rita Andrade
Riding Like Rommel





[...] atravessam as esferas do blues e do rock criando um disco tão bizarro quanto viciante. Ou o que aqui foi escrito, há [...]