| Discos | Rangda: False Flag
Jul 15th, 2010 | Por Nuno Afonso
A expressão supergrupo poderá soar aterradora, para lá de pretenciosa. Culpa de falsos supergrupos ou da nossa mania de rotular tudo para nossa conveniência, diria que os próprios Rangda não se consideram como tal. No entanto, é facto que este trio reúne alguns dos nomes mais relevantes da música experimental nos últimos anos (mais um rótulo, eu sei). Richard Bishop (dos extintos Sun City Girls), Ben Chasny (Six Organs Of Admittance) e ainda Chris Corsano (baterista imparável, na primeira linha de improvisação) fazem dos Rangda um projecto próximo da força de natureza. Cada músico com um historial que fala por si mas aqui, os três demonstram como exorcizar demónios e incendiar fantasmas. Ainda que o psicadelismo paire sempre por este lado, os Rangda entendem e fazem-nos entender o lado mais cru e desvairado linguagem do rock.
O início épico que se ouve em Waldorf Hysteria impõe-se como um trovão que antecede a uma tempestade. As guitarras de Chasny e Bishop ganham uma vida quase própria, unindo-se quando necessário mas também caminhando sem receios para explorações progressivas. First Family é de resto, o momento-fascínio neste aspecto. A bateria de Corsano é o motor de um enorme vendaval psicadélico que tem tanto de algum psy-rock dos anos 70 como do magnetismo do noise oriental. Uma mistura que sentimos já ter escutado em qualquer lado embora não desta forma tão uniforme (mais uma vez, o historial de cada músico a falar por si).
Sarcophagi por sua vez, demonstra uma faceta mais contemplativa e bastante mais próxima do registo habitual de Chasny a solo. Um respiro profundo antes do regresso fervilhante da tempestade através de Serrated Edges. As referências são muitas assim como as abordagens pois ainda que uma música aparente algo, existe sempre mais por detrás. Até algumas aproximações ao metal fazem parte dos Rangda.
A montanha, a noite, o vento, a chuva. Há um toque de natureza e de rural bem como de negro e intenso em False Flag. Um ritual roqueiro demoníaco que conhece diferentes estados, entregas e naturalmente, resultados. Tudo com a coerência, força e beleza que é exigida num disco deste género. Para arrumar ao lado de discos dos Comets On Fire ou Acid Mothers Temple.
Rita Andrade




