| Do Fundo do Baú | Babes In Toyland
Fev 7th, 2012 | Por Nuno Afonso
É necessário recorrer ao exercício temporal, a uma época em que o fenómeno da internet (e tudo o que dela adveio: redes sociais, plataformas de partilha, etc), tal como hoje o entendemos, era embrionário. Os atuais blogs e sites vieram a tomar lugar às então publicações independentes das fanzines, e de certa forma, à troca de música de mão em mão através das cassetes. A descrição dos anos 90 – e a forma nostálgica a que tantas vezes se recorre – arrisca-se a soar enfadonha; todavia escutar em 2012 um disco como Spanking Machine das Babes In Toyland é sinónimo de um apelo, ainda que inconsciente, a essas e outras imagens. A sobreexploração do universo grunge e a ridicularização do movimento (?) riot grrrl criaram os seus clichés e distanciaram do centro de interesse algumas referências vitais. Neste sentido, Spanking Machine é das peças mais fundamentais e genuínas de um trash rock (entretanto perdido).
Essencialmente punk, vigoroso, musculado e nervoso, este álbum estreia do trio de Minneapolis foi uma primeira passagem de Courtney Love, ainda antes de todo o manto cor-de-rosa que a cobriu e, em parte, ainda a persegue até hoje. Sem o querer ser, Spanking Machine é um objeto do mais puro estado grunge (como o deveremos conhecer) em que nem faltou a presença do icónico produtor Jack Endino. É igualmente o marco por excelência de uma banda que não mais deu notícias desde o flop The Further Adventures Of Babes In Toyland, algures em 2001.
Spanking Machine detém hoje algo mais que o mero aspecto de memória; essa via é de facto espontânea, todavia a forma não é de todo anacrónica. Na verdade, algum tribalismo rítmico aqui escutado (especialmente no tema Botowrap) é um recurso persistente numa fusão musical frequentemente considerada como refrescante e patente em inúmeros casos atuais. Em todo o caso, as Babes In Toyland criaram aqui um ambiente irreproduzível no agora. Nem a boa memória de sucedâneos (ou descendências) como Sleater-Kinney reafirmaram o rock como esta atitude e despojamento.
Nuno Afonso
Swamp Pussy
Never




