| Entrevista | Cold Cave

Jan 27th, 2010 | Por Nuno Afonso

Foram uma das bandas que marcaram 2009, pelo menos por aqui. Após um par de EP´s que cruzavam da melhor forma a synth pop mais obscura dos anos 80 com algumas referências do industrial, Love Comes Closer foi o disco estreia que mereceu atenção do público, imprensa e também da mítica Matador Records. Numa altura em que a banda se prepara para uma nova digressão pelos Estados Unidos, aproveitámos a deixa e estivemos à conversa com o mentor da banda, Wesley Eisold, que nos falou sobre o passado, presente e futuro dos Cold Cave.

É demasiado tentador não começar a entrevista sem abordar o teu passado musical…afinal de contas estiveste à frente de algumas bandas influentes na cena hardcore [Some Girls, Give Up The Ghost, American Nightmare]. De momento escolheste uma nova direcção. Achas que, de alguma forma, esse passado se reflecte na sonoridade actual?

Certamente que sim mas é-me complicado dizer de que maneira. Penso que tudo o que tenho feito tem sido fiel à forma como me sentia na altura e continuará a ser assim. Se alguma coisa que possa existir dessa herança punk/hardcore, é o facto de simplesmente fazer aquilo que sinto, independentemente do que possam dizer. Já não tenho paciência para regras ou géneros musicais. A vida é demasiado curta.

Para além de seres músico também és fundador da Heartworm Press. É possível estabelecer uma relação entre o teu trabalho enquanto músico e editor? Sentes alguma linha comum entre ambos ou são apenas diferentes áreas?

Parece-me que os Cold Cave – temática e esteticamente – têm muito em comum com a literatura e a escrita. Sempre estive interessado nisso e quero continuar a editar, sejam trabalhos meus ou de amigos. Não sei porquê mas sinto uma afinidade com o submundo…é o que posso dizer.

E qual a tua posição em relação à partilha de ficheiros?

Bom, não deixa de ser um roubo, portanto tudo depende da forma como as pessoas se possam sentir em relação a roubar algo. Quando era mais novo recordo-me que existia uma certa moralidade associada acto do roubo. Isto é, era mais facilmente aceitável roubar de uma grande cadeia de lojas do que numa loja de comércio tradicional. Penso que isto tem sido esquecido.

Os teus primeiros trabalhos Painted Nails e The Trees Grew Emotions and Died são caracterizados por uma certa dose de música industrial e noise. Há algo nestes géneros que te faça querer explorá-los?

Depende sempre da disposição na altura da composição. Por vezes sentimo-nos mais negros e então a música acaba por reflectir isso. Outras vezes queremos transmitir um sentimento de alegria. Mesmo que nunca consigamos exactamente transmitir o que na verdade sentimos, a música acaba sempre por reflectir um pouco essa ideia.

Recentemente assinaram para a  Matador Records que [casa de Cat Power, Yo La Tengo ou Pavement ] que re-lançou o vosso disco Love Comes Closer, atingindo certamente um público mais vasto. Como tem sido esse feedback até agora? Li algures que o tema Life Magazine entrou num anúncio ou algo assim…podias falar sobre isso?

Não tenho uma noção em relação a isso. Tentamos sempre distanciarmo-nos dessa perspectiva exterior pois corremos o risco de distorcer a nossa realidade e a razão do projecto ter nascido, que foi exactamente evitar ser guiados por opiniões exteriores. Quanto ao Life Magazine, o tema foi realmente incluído num anúncio da Radio Shack [cadeia de comunicações e multimédia nos EUA] durante as férias do Natal. Achámos a ocasião apropriada.

Caralee McElroy (ex-Xiu Xiu) ingressou recentemente nos Cold Cave. Como é que se deu essa entrada?

Apenas por termos amigos mútuos e pelo facto de recentemente ela ter-se mudado para a Califórnia. Para além disso, eu e o Dominick [Fernow aka Prurient e membro dos Cold Cave] já a conhecíamos e achámos que faria sentido.

Para finalizar, será que nos podes falar dos teus planos futuros?

Nesta altura encontro-me a preparar aquele que será o novo disco dos Cold Cave. Não poderei dizer exactamente quando estará pronto pois  estamos prestes a entrar em digressão durante algum tempo. Ainda não sei quando iremos ter oportunidade de ir a Portugal eu adoraria. Nunca aí estive mas já ouvi histórias fabulosas. Entretanto, ainda este ano temos um single a sair pela Italians Do It Better [Chromatics, Glass Candy, Farah, etc] assim como a versão em vinil da cassete Stars Explode, gravada com Prurient e que explora o nosso lado mais ambiental.

Nuno Afonso

Myspace

“Life Magazine” MP3 Download

[Via The Fader]

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