| Fresh Cuts | Glasser
Jun 24th, 2009 | Por Nuno Afonso
Já perto de uma década de produção musical de liberdade criativa ímpar, onde se fundem sons e culturas, da folk mais bizarra à electrónica mais abstracta, dos Estados Unidos profundos à África ancestral, felizmente não páram de surgir novos projectos nessas mesmas (des)coordenadas pop. Depois de provas dadas por nomes como Animal Collective, Dirty Projectors ou Black Dice, esse caleidoscópio de tribalismo urbano pop segue caminho com outros novos projectos. Este ano City Center ou Telepathe assinaram alguns dos discos mais fascinantes destes últimos seis meses e Glasser certamente é um nome para seguir de perto.
Cameron Mesirowa aka Glasser, tem contado com a ajuda de gente de outras bandas como Foreign Born, Blank Dogs ou Dum Dum Dogs, e acaba de lançar o EP Apply. Algures entre a onirismo de Kate Bush e o psicadelismo doce dos High Places, Glasser é sinónimo de encantamento. Marcadamente rítmico e hipnótico, existe um interessante cruzamento com as melodias mais simples e por vezes até próximas de um imaginário infantil que deambulam por cenários ora mais coloridos e solarengos, ora por aproximações mais obscuras e misteriosas. No entanto, fica sempre a sensação de um transe vibrante em cada tema e os jogos entre percussão, voz e efeitos, que criam um intenso labirinto de sons. Flautas, xilofones, reverbs e loops, esse entendimento entre o orgânico e o digital para além de dignamente captado demonstra uma naturalidade e fluidez admiráveis que ganham maior relevo nos temas Plane Temp ou Apply. Para além dos temas originais, esta edição conta também com remisturas de Lucky Dragons, Tanlines ou ainda John Talabot. Tudo óptimos motivos para que Glasser não passe ao lado este ano e para que se fixe atenção para passos futuro.
Nuno Afonso





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