| Fresh Cuts | Silk Flowers

Nov 10th, 2009 | Por Nuno Afonso

A História volta a repetir-se uma vez mais. Os quadrantes do pós-punk e as suas direcções vanguardistas encontram-se trinta anos depois na mesma cidade que viu nascer iluminárias como Suicide, Lydia Lunch ou Sonic Youth. As compilações New York Noise encarregaram-se de trazer à luz do dia alguns desses exemplos mais obscuros e entretanto perdidos no tempo. Numa altura de (re)descoberta desses tempos, sabemos que a frescura e real urgência desses sons já não é a mesma mas continua a ser uma esfera apetecível. Os Silk Flowers são um desses casos em que o seu papel de recriadores é notório mas nem por isso menos inspirado.

O disco homónimo saído há meses não deixa de transparecer muitos dos ensinamentos dos Public Image Ltd. ou Cabaret Voltaire e caso ainda haja dúvidas de que este é um disco lançado possivelmente na década errada, sempre se pode sentir uma semelhança avassaladora vocal com Ian Curtis ou mesmo Peter Murphy. Seja retro, se assim quisermos. Todavia os Silk Flowers têm algo de irresistível e próprio: as melodias bizarras e quase paranormais que escutamos ao longo do disco. Esse  imaginário sci-fi bem nutrido de substâncias mágicas libertadoras acaba por nos parecer simultaneamente perturbante e atraente. Em todo o caso, o negrume da banda nunca é posto de lado mesmo quando se vislumbram cores esborratadas em néon e convidativas a uma dança shoegaze. Existe um gosto em explorar ambientes, marcar aquele ritmo electro e adorná-lo com linhas de sintetizadores ora mais psicadélicos, ora mais soturnos. E sim, pairam aqui muitas referências óbvias de outros tempos, não nos deixemos enganar quanto a isso mas não deixam de ser óptimas referências nem os Silk Flowers deixam de criar boa música.

Uma companhia recomendável para as próximas semanas.

Nuno Afonso

Myspace

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