| Fresh Cuts | Sore Eros

Jun 17th, 2009 | Por Nuno Afonso

Após alguns anos de colaboração com esse bizarro guru do novo milénio que é Ariel Pink, Robert Robinson decidiu dar asas à sua própria criação musical e criar através dos Sore Eros aquele que deverá ser um dos discos do ano, segundo a prestigiada revista Wire. São referências e valem o que valem contudo, neste caso, têm uma razão de ser e para isso bastará escutarmos Second Chants. Lançado há algumas semanas pela obscura SHDWPLY (que este ano já nos apresentou outra belíssima banda, os Teeth Mountain), este disco estreia é uma perfeito exemplo dessa melancolia criativa de estar entre quatro paredes sob recordações de infância, sonhos cósmicos e loops sonoros intermináveis. Bradford Cox (Deerhunter/Atlas Sound) certamente compreenderá o que aqui refiro.

Quando se entra em Second Chants, só há uma forma de o fazer: entrar de corpo e alma e mergulhar a fundo neste mar lunar. São canções abstractas, abarcando, aqui e ali, coordenadas da melhor música psicadélica (facção mais doce e sonhadora e menos agressiva e evasiva) algures entre os anos 60 e os 90. No entanto, dificilmente haveria melhor altura para escutar um disco assim. Segue muitas das tendências actuais mas caminha para um lugar de estranha intemporalidade. Aqui não há lugar para explosões sonoras  mas sim para implosões sonoras, meticulosamente directas as nosso íntimo, ao nosso lugar de emoção sem entrar por caminhos fáceis. Se houvesse palavra para descrever a música dos Sore Eros seria “ondulante”. Esta comparação com a água parece-me tão natural como fundamental pois apesar de muitos efeitos de som, nunca deixa de soar a material orgânico, quase biológico, de vida própria. E é bem capaz de nos levar – como pesos mortos – a viajar sem sairmos de casa. Sabiamente aloja-se no nosso subconsciente e alimenta-o de cores e imagens. É impossível não soltar um sorriso de prazer ao escutar o tema One By One; a tal melancolia confortante (e criativa) que falava no início, está toda lá. E os Sore Eros sabem disso (e dizem-no em Smile On Your Face).

Só o futuro nos poderá dizer até onda vão chegar os Sore Eros e embora a banda ainda esteja numa fase inicial da sua existência, é evidente que por aqui rondam óptimas ideias e acima de tudo, uma sensibilidade genuinamente pop.

Rita Andrade

Myspace

Video Over and Over

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