| Fundo do Baú | Rolling Stones – Emotional Rescue (1980)

Jun 16th, 2009 | Por Nuno Afonso

São considerados, unanimemente, como a maior banda de rock’n’roll do Mundo, muito graças à sua longevidade de quase meio século. Por isso, a imensidão da sua carreira torna o exercício de escrever sobre eles como uma tarefa quase hercúlea. O mais fácil é mesmo dividir a sua discografia por fases e tentarmos abordá-las por tópicos. Podemos falar da sua fase inicial, entre banda inglesa de covers de blues americanos e estandarte da british invasion, dos anos 60; da fase fundamental para o rock’n’roll, com raízes cada vez mais na Americana profunda, dos anos 70; a fase disco contagiada pelas más indumentárias e permanentes ridículas dos anos 80; ou a fase do ressurgimento, como banda de estádio e circo rock’n’roll, dos anos 90.

Vamos optar pela fase dos anos 80, porque é nela que se insere o álbum Emotional Rescue, do qual quero escrever. De facto, esta é a época menos interessante de todas as dos Rolling Stones e os motivos são fáceis de identificar: Keith Richards estava agarradinho à papinha como nunca e deixou o processo criativo um pouco à deriva, entregue a Mick Jagger, que aproveitou as tendências do momento – a disco, os sintetizadores e a new wave –, assim como a sua queda para a canção romântica, para influenciar o resto da banda. Foi assim que surgiu o pior disco dos Rolling Stones – Dirty Work é pior que o medo – e os mais ignorados álbuns da sua história. O que não quer dizer que não devam ser ouvidos e, por vezes, recordados em rubricas como esta.

Emotional Rescue é assim recordado como o típico disco dos anos 80, mas é mais do que isso. É certo que dois dos temas mais famosos do álbum encaixam nesse rótulo – Dance (Pt.1), faixa de abertura, é uma jam electrónica, com funk de pista de dança, e Emotional Rescue é o melhor tema dos anos 80 dos Stones, que bate Miss You de longe, graças ao falsete de Jagger –, mas há mais, muito mais. Começando logo por aquela que é a faixa do álbum mais vezes tocada pela banda ao vivo: She’s So Cold é hino rock reduzido ao essencial: riffs certeiros de Lord Richards e refrão libidinoso de Jagger repetido até à exaustão (ou até as miúdas começarem a despir a parte de cima).

Depois há Where The Boys Go, punk de três acordes à Xutos & Pontapés, mas bom; Send It To Me, a melhor música reggae da banda, que nos anos 80 teve um estranho fascínio por este género e que poucos frutos interessantes deu; Indian Girl, baladona para engatar miúdas e acender o isqueiro no estádio; ou Let Me Go, ensaio síntese do rock’n’roll dos últimos álbuns da banda, circa anos 70. Dispensável só mesmo All About You, o tema cantado por Keith Richards (que é uma tradição em cada disco da banda), e que é a excepção à minha teoria que diz que, quanto melhor é a música de Richards, melhor é o disco dos Stones.

Pedro Soares

Video Emotional Rescue

Video She´s So Cold

Video Where´s The Boys Go

Comentar