Lenny Kravitz: sem drogas, sem sexo e sem rock’n'roll

Mar 12th, 2008 | Por Nuno Afonso

Antes de começar a hiper-ventilar por ter lido o título desta prosa, respire fundo caro leitor. Aviso-o desde já que, ao contrário do que pode parecer, não vou aqui falar particularmente da música de Lenny Kravitz. Quer dizer, mais ou menos…

No fundo, Lenny Kravitz não é tão mau artista quanto nos quer fazer parecer. Escondido por trás daquele cantor romântico, espécie Marco-Paulo-de-rastas, existe um tipo que até tem bom gosto e sabe fazer boa música, um digno sucessor da linhagem afro-americana da música anglo-saxónica, que contempla gente como Stevie Wonder ou Jimi Hendrix. Lenny Kravitz conehce-os a todos e ouve-os a todos, como comprova o primeiro álbum, o bastante interessante Let Love Rule. Contudo, a maior parte do tempo, Kravitz esgota o seu virtuosismo em sensacionalismo barato, lamechiches pegadas e romantismos de telenovela, excepto raras excepções (leiam-se temas).

Este pequeno parágrafo serve para introduzir o seu novo álbum, It's Time For A Love Revolution, cujo título, como alguém pertinentemente referiu, parece ter sido tirado de um gerador de títulos de músicas do Lenny Kravitz. Mas não é isso que importa; a novidade foi aquilo que o músico disse há bem pouco tempo. Segundo o próprio, Lenny Kravitz não faz sexo há três anos. Ora bolas, se é verdade e se também se confirma o facto de que é abstémio e não se droga, o que faz o tipo para se divertir? Não bebe, não fuma, não fode… 

Bem, mas cada um sabe de si e ele lá terá as suas razões. Agora, o que ele não pode querer fazer é rock'n'roll, quando todos sabemos que a sua equação química comporta o sexo e as drogas. Conseguimos eliminar um dos componentes da fórmula, mas é impossível retirar os dois ao mesmo tempo. E It's Time For A Love Revolution é a prova cabal disso. 

Basta pegar no disco e escutá-lo uma vez. Todo ele é um catálogo de referências certas de três décadas de rock'n'roll: existem riffs pilhados do espólio dos Led Zeppelin, existe a groove libidinosa de James Brown, existe o funk swingante de Sly & The Family Stone, existem os solos de guitarra de Jimi Hendrix…  Existe tudo, mas no final, It's Time For A Love Revolution é apenas mais um bocejo e uma coçadela no escroto. E porquê? Porque tudo é feito sem alma, sem amor, sem espírito. Em suma, sem drogas, sem sexo e sem rock'n'roll!

Lenny Kravitz pode fazer os mesmos acordes de Jimi Hendrix, mas se não tocar a guitarra como se tivesse a fazer amor com ela não lhe vai servir de nada. Também pode ir buscar o ritmo de Stevie Wonder, mas se não tiver o feeling de quem vê com os olhos fechados, também não lhe vai adiantar de muito. Por isso, It's Time For A Love Revolution parece um exercício de copy e paste. E quando quero bricolage vou ao AKI.

It's Time For A Love Revolution não é 100% inútil. Serve sempre de mau exemplo, claro, e serve de prova para todos aqueles que querem fazer rock'n'roll, sem sexo e sem drogas. Literal e simbolicamente.

Deviam fazer uma tese de mestrado sobre isto…

Pedro Soares

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2 comments
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  1. Bom, acho este texto absolutamente inacreditavel! Desde quando é que uma estrela de musica que deve servir de exemplo a todos os fans é menos bom por nao se drogar, nem beber?! É inacreditavel como se permite que textos destes sejam publicados… Mais, desde quando e que da alma, o amor e o espirito da musica e do artista fazem parte drogas e alcool?! Por favor…informa.te sobre aquilo que é a alma e o espirito da musica… Dos textos mais ridiculos que li nos ultimos tempos… Quando à qualidade do trabalho, eu tenho a dizer que aprecio mas respeito as opinioes de quem nao o faz.

    Ve se melhoras a qualidade e a inteligencia dos teus textos…sao bastante fracos! E se tens filhos espero que tentes transmitir essa alma e espirito que tanto aprecias…Drogas e alcool!

  2. Oh André, não leves a vida tão a sério.
    E preocupa-te mais com os teus filhos, porque o Lenny Kravitz já é crescido e sabe cuidar de si.

    Abraço
    Pedro Soares

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