| Perdidos em Combate | Arab On Radar
Nov 14th, 2009 | Por Nuno Afonso
Porcos, paranóicos e ruidosos como o caraças. Há que ser assim directo ao assunto no que toca aos Arab On Radar, essa infame banda-instituição que um dia foi perseguida ao pontapé após uma abertura mal recebida pelo público num concerto de Marilyn Manson. Na verdade a banda apela a dois – e apenas dois – sentimentos distintos: amor ou ódio. Conterrâneos de outras guerrilhas sónicas como Lightning Bolt ou Black Dice, os Arab On Radar não receberam a mesma atenção destes, permanecendo um pouco mais à margem mas mantendo um culto aceso nos EUA. Os discos eram de duração curta mas cada tema musicalmente intenso e liricamente escandaloso. Mais que adorados, procuravam ser odiados, semeando o caos em cada concerto. Entre a crueza da no wave e seguindo pistas deixadas pelo noise rock japonês, pairavam letras doentias e perversas que revelavam um humor negro e muitas vezes a roçar uma abordagem insultuosa, algo que certamente lhes garantiu muitas macumbas por parte de grupos feministas e gente mais sensível.
Entre 1997 e 2003, através da Skin Graft e Load Records (duas casas peritas em esquisitice musical), foram lançados splits cds com The Locust e Kid Commando e os dos discos mais representativos da sua discografia: Soak The Saddle e Yahweh Or The Highway. É verdade que a médio prazo, o “som Arab On Radar” entrou numa certa fórmula de bateria mecânica/guitarras estridentes/voz de maníaco mas apesar da fórmula, a intensidade continuava lá, pronta a penetrar e bombardear a sanidade mental de quem os escutava. Em 2002 a banda anuncia o fim das suas actividades e surgem então os The Chinese Stars, uma versão mais dançável e menos ruídosa (embora com a típica guitarra estridente sempre lá presente). No ano passado foi lançado o DVD Sunshine For Shady People que demonstra o lado mais visceral das suas actuações assim como algumas imagens off the record apresentadas em primeira mão.
Com eles compreendíamos o prazer de irritar terceiros e de provocar quem se metesse à nossa frente. Violentos? Nem por isso, apenas porcos, paranóicos e ruidosos como o caraças. Não há memória de rock mais esquizofrénico nos últimos anos.
Nuno Afonso




