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Fev 9th, 2010 | Por Nuno Afonso
Os Aquaparque inscreveram o seu nome na primeiríssima linha de novos nomes da música portuguesa com É isso aí. Um daqueles discos que transcende um pouco ao estatuto de documento pois reflecte na perfeição o espírito de uma nova geração de gente atenta e irrequieta que tem vindo a criar alguma da música mais estimulante feita por cá. Agora, é a vez de Pedro Magina (1/2 dos Aquaparque) apresentar o seu novo trabalho a solo Nazca Lines. Um EP de três temas que seguindo algumas das coordenadas características da sua banda, também é capaz de explorar e aprofundar um território perdido entre o ambiental e a new age, “psicadelicamente falando”, pois claro.
Nos últimos tempos os sintetizadores têm ganho um papel cada vez mais relevante assim como a recuperação de alguns trabalhos e referências empoeiradas (e um tanto obscuras). Mark McGuire, Oneohtrix Point Never ou até mesmo Delia Gonzalez & Gavin Russom têm sido alguns desses nomes que em início de novo milénio transportam os sintetizadores para um caminho cósmico e em sintonia com o passado (especialmente anos 70 e 80). Com Nazca Lines, Magina transcreve isto mas acrescenta algo mais: um sentimento pop qb. São melodias pequenas e circulares, em cores neon e em forma caleidoscópica, que são descortinadas ao longo de cada tema. Heads Across The Sky é disso exemplo. Uma melodia que anda entre o krautrock de uns Tangerine Dream e a new age de um Vangelis; uma inconstante localização que nunca se torna arriscada para Magina pois consegue dosear cada faceta. Por outro lado, a sua música atinge uma certa multidimensionalidade e esse feito é provavelmente o grande trunfo de Nazca Lines. Não se limita simplesmente a ser um disco expansivo mas também sensorial. Não tanto como outros projectos nacionais como os Tropa Macaca (de André Abel, também Aquaparque) é certo, mas ainda assim, o suficiente para despertar algo mais que o acto de escutar música, mas igualmente de imaginar na música. Isto porque dá a sensação que por aqui paira uma aura nostálgica que assenta muito bem neste universo.
Mais do que um mero resultado de um projecto paralelo de uma banda relativamente conhecida, este é um trabalho que merece atenção pelo seu próprio valor e importância no cenário musical actual. Esperam-se boas abertas para Magina.
Nuno Afonso




