| .PT | Singing Dears
Mar 8th, 2010 | Por Nuno Afonso
Sempre houve um certo charme pós-industrial, ou lá o que se queira chamar, às cidades circundantes das capitais. Tantas vezes renegadas para um inevitável segundo plano e tantas outras observadas através de um olhar de desconfiança, a verdade é elas são frequentes berços de movimentos artísticos, especialmente na música. Outrora capital do metal nacional, o Barreiro tem-se destacado nos últimos anos por uma intensa e fervilhante movimentação musical, bem além do citado rock vestido de negro e adorador de Satã. Entre o rock n´roll mais garageiro e alguma da musical experimental mais pertinente, percebemos que actualmente nesta cidade para lá dos prédios e fábricas, há pulsações bem fortes a despertar o interesse de melómanos. Neste contexto, os Singing Dears são mais uma prova de que o rock n´roll está de boa saúde. É um gajo duro, o rock.
A formação conta com a participação de Nick Nicotine, figura imparável que mantém uma das formações mais antigas, os The Act Ups, assim como uma série de projectos paralelos. Like An Insect é o disco estreia lançado e distribuído recentemente pela Hey, Pachuco!. O quarteto que ainda o ano passado se apresentou ao vivo no Barreiro Rocks, desde logo deixou claro a sua atitude: quatro amigos com um gosto e vontade comum de criarem música juntos. Em disco é bom sentir que essa atitude deu bons frutos. É certo e sabido que o universo do rock sempre teve um glamour inerente mas no caso dos Singing Dears o que aqui se sente e se escuta é o bom velho rock despretensioso, honesto e que não cede a modas.
É a partir de uma abordagem algo devedora ao garage rock norte-americano mas também algum punk via The Clash, que faz de Like An Insect um disco contagiante e eficaz. Encontramos temas-hino como Just Like Robin Hood ou Year 2k que, para além de ser uma grandiosa abertura, revela um espírito festivo que assenta muito bem na banda. Canta-se sobre copos, miúdas e alergias a soja. Canta-se tudo isto com uma vontade de reunir os amigos e fazer festa no bar mais próximo.
Por outro lado, a banda nunca perde a energia e ritmo mesmo que os escassos trinta e cinco minutos de duração possam parecer insuficientes, a verdade é que são trinta e cinco minutos de pura entrega e que nos fazem sentir bem. É tão só e simplesmente isto, como se isto já fosse pouco.
Nuno Afonso




