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Jul 6th, 2011 | Por Nuno Afonso

Em seguimento de duas recentes actuações por Lisboa, e do lançamento do EP Young Love, será legítimo afirmar que os Sunflare têm criado algumas das combustões sonoras mais inebriantes com o selo nacional. Seja no aparente calculismo do estúdio, seja no inevitável calor do palco, paira a ideia que, nas suas mãos, o rock terá de ser necessariamente livre e orgulhosamente incendiário, capaz de partir e de chegar, sem uma cartografia de viagem exacta. Da mesma linhagem genética dos Lobster, Guilherme Canhão – que também anda pelos Tigrala – junta-se aqui a Rui Nogueiro e a Raphael Soares na tarefa de cavalgar nesta besta de corpo musculado e de metabolismo psicadélico conhecida por Sunflare.

Perante a carga sónica existente em Young Love, descreve-se uma noção de rock n’ roll própria de quem não tem pruridos em assimilar referências díspares sob uma definição aberta e actual. O groove latente em qualquer um dos quatro momentos do EP revê-se na imprevisibilidade com que a banda se orienta, num ritmo frenético embebido no blues mais far out. E por lá andam os fantasmas de Hendrix, Blue Cheer ou Hawkwind, a demonstrar como a década de 70 foi essencial para a mutação do rock. Ou, na opção de uma aproximação mais recente, aquilo que os Comets On Fire se especializaram em fazer (principalmente através do colosso Blue Cathedral). Presenças estruturais no que os Sunflare criam, embora o trio tenha vindo a desenvolver um espaço de identidade cada vez mais genuíno, sem fazer disto uma obsessão; na verdade, o espírito de urgência/evasão escala a velha (e muitas vezes vazia) questão da suposta originalidade. Mais do que as origens, as atenções projectam-se, definitivamente, nas próximas paragens.

A par de outras pequenas maravilhas como Black Bombaim ou Botswana, os Sunflare trazem uma nova e imensa dimensão ao rock feito por cá.

Nuno Afonso

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