| Sob Escuta | Run DMT

Jan 23rd, 2012 | Por Nuno Afonso

rundmtDa mesma Baltimore que um dia viu nascer para o mundo os Beach House ou Dan Deacon, Run DMT é a prova de um circuito underground fervilhante na cidade. Antes de mais, convém não confundir com o duo de produtores que também se dá pela mesma designação. Só para evitar confusões descenessárias, claro. Este caso específico que aqui abordamos refere-se ao trabalho a solo de Mike Collins que o ano passado gravou  Dreams, um álbum atípico cuja forma psicadélica se faz de uma  mistura simultânea de estranheza, humor e beleza. Os sinais óbvios da natureza da sua música (repare-se no nome), aponta para alguns pontos essenciais. Seja pela recuperação da reconhecida dupla de hip-hop nos anos 80/90, seja pela droga que inspirou Gaspar Noé para o filme Enter the Void, a DMT.

São pois sinais de que estamos perante um objeto sonoro não identificado com apontamentos de  electrónica mais abstrata e ambiental lado a lado com um experimentalismo de faceta  new age. Aproximações aos Ducktails ou a Lucky Dragons não são totalmente descabidas, mas existe em Run DMT um toque de hilariante. Se não vejamos: Dreams é como que uma narrativa de alguém que decide descrever a sua experiência com a droga alucinogéna com monólogos algo absurdos e todavia relacionados a tudo o que se escuta. Desde melodias repetitivas, a vozes encantatórias e infantis, momentos de intensidade espacial ou de pequeninas peças de pop borbulhante solarenga. Temas inacabados e por isso infinitos alinhados numa colagem sonora contínua onde praticamente é possível ouvir de tudo um pouco.

O elemento surpresa é por isso uma constante em Run DMT, com ou sem drogas ao acaso. Talvez daqui a alguns anos, ou mesmo meses, ninguém se lembre deste espirituoso produtor, mas por agora é certamente um bom escape a este mundo.

Rita Andrade

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